Igreja
Matriz:
Este
que é um dos principais símbolos da freguesia, merece a visita de
qualquer pessoa que passe por Soalhães e de todos os que sentem
interesse por história.
Trata-se de um amplo
templo de granito cuja frontaria, enquadrando o portal, romano-gótico,
de duas arquivoltas levemente apontadas e capiteis de bom lavor,
denuncia a época primitiva da construção, provavelmente do final do
século XIII. Sofreu restauros no século XVIII, que desfiguraram
consideravelmente o edifício, visíveis na torre medieva, quadrangular,
e no interior, coberto por um tecto de madeira de caixotões pintados e
paredes revestidas, até meia altura, de azulejos azuis e brancos da
mesma época. Na nave admiram-se uma série de baixos relevos sobre a
paixão de Cristo, de madeira. Na sacristia subsiste um revestimento de
azulejos azuis e brancas setecentistas.
O azul
do azulejo e o dourado da talha tornam este monumento uma obra
riquíssima, não pela sua grandiosidade, mas pelo cuidado dos pormenores.
“O tecto da nave é todo coberto de painéis pintados separados por belas
molduras de talha, o mesmo acontecendo nas paredes da mesma quadra.
Tudo o resto é azulejo azul, que contorna as molduras, as portas de
todos os acidentes arquitectónicos.” (Azulejaria em Portugal no séc.
XVIII).
Do
lado direito de quem entra, ocupando quase totalmente a parede, emerge
um painel alusivo a Moisés e à rocha da qual brotou água para matar a
sede ao povo no deserto: «E o Senhor disse a Moisés: “Passa diante do
povo e toma contigo alguns anciãos de Israel, e toma também em tua mão a
tua vara, com que golpeaste o Nilo, e vai. Eis que eu estarei diante de
ti, lá sobre a rocha de Horeb, golpearás a rocha e dela jorrará a água
para que o povo beba”. E Moisés fez assim na presença dos anciãos de
Israel. E pôs àquele lugar o nome de Massa e Meriba» (Ex 17,5-7a).
O painel destaca-se pela grandiosidade da sua área e pelo gosto estético
das suas imagens. Apresenta 20x48 azulejos, somente interrompidos por um
púlpito entalhado e por dois nichos: um com imagem representando as
santas mães, outro representando NªSª do Rosário, colocadas ambas
imagens em pedestais ornamentados por azulejo de figuras avulsas
(restauro feito em 1992).
Do
lado esquerdo, ocupando toda a parede, três painéis:
1.
Moisés e a serpente de bronze no deserto: «O Senhor
disse-lhe a Moisés: “Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre uma
haste e todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado”»
(Num 21,8-9).
2.
Jesus e a samaritana sentados junto ao poço de Jacob:
«Existia ali um poço de Jacob... Veio uma mulher samaritana, para tirar
água. Diz-lhe Jesus: “Dá-me de beber”» (Jo 4,6-8).
3.
Jesus fala aos discípulos.
As
molduras são de cabeceiras lisas, separadas por emolduramentos de
pilastras e centradas por grinaldas, seguras por medalhões. (Azulejaria
em Portugal no séc. XVIII)
Ainda
deste lado, um outro painel representando Melquisedec: «E Melquisedec,
rei de Salém, trouxe pão e vinho, pois era sacerdote do Deus Altíssimo e
abençoou Abraão dizendo: “Bendito seja Abraão pelo Deus Altíssimo,
Senhor do Céu e da terra. Bendito seja Deus Altíssimo que pôs os teus
inimigos em tuas mãos”. E Abraão deu-lhe o dizimo de tudo.» (Gen
14,18-20).
Na
capela lateral, denominada Capela das Almas, do lado esquerdo, com 22
azulejos de alto, representando São Miguel a salvar as almas do
purgatório. A moldura apresenta pilastras e medalhões a que os anjos
servem de suporte. No lado direito está representado São Miguel a lutar
com o diabo, enquanto as almas sobem ao céu.
Na
sacristia existe um conjunto de azulejos de figura avulsa, com cantos de
estrelas e motivos diversos: barcos, flores, aves, figuras humanas... E
ladeando um pequeno retábulo de altar, encontram-se dois anjos azuis
talvez provenientes de outro lado.
A
partir da análise destes azulejos coloca-se a hipótese do seu autor ser
Policarpo de Oliveira Bernardes, discípulo de Francisco Ferreira de
Araújo e filho de António de Oliveira Bernardes, mestres da Escola de
Coimbra. A sua obra é essencialmente constituída por painéis figurativos
de enquadramentos rectilíneos simples, de grande qualidade quanto à
composição e configuração das suas figuras.
Penedo de Cuba:
O melhor torrão da enorme
freguesia de Soalhães (concelho do Marco de Canavezes) fica num vale,
que vem morrer em ponta aguda, na direcção do norte, contra a encosta de
dois montes, um dos quais tem o estranho nome de monte Entrudo.
O monumento foi escavado
no tempo de Martins Sarmento, sendo recolhidos fragmentos de ossos
humanos fossilizados e alguns instrumentos de sílex. O espólio recolhido
encontra-se no Museu da Sociedade Martins Sarmento. Foi doado à SMS em
1898 por Semião Ferreira de Macedo Faria Gajo.
Este penedo, em tempos
sepultura, possivelmente aberta no saibro entre penedos,
da qual se desconhece a estrutura interna, que forneceu um espólio
constituído por cerâmica de fabrico manual sem decoração, dois machados
polidos, uma goiva, duas facas de silex e pontas de seta.
A sua datação provável é o
3º milénio a.C., e é protegido pelo Estado, sendo considerado "Imóvel de
interesse público", classificado por proposta do Coronel Mário Cardozo.
Dec. nº 38 147, DG 4 de 5 Janeiro 1951.
Quem aprecia história deve
visitar este penedo sem dúvida alguma.
Pelourinho:
Soalhães,
em tempos concelho, tem a sua marca. O Pelourinho, único símbolo do
extinto concelho, monumento nacional por decreto n.º 38147 de 05/01/1951
pelo valor histórico e artístico que ostenta, onde é igual, ou talvez
mais, importante que a Igreja Matriz.
Este
simbolizava a independência, a autonomia e a jurisdição do concelho
perante as freguesias que se incluíam no seu concelho (Rosém, Folhada,
Manhuncelos, Várzea de Ovelha, Avessadas, Tuías, Fornos, Rio de Galinhas
e Freixo.