
Apresentação:
Soalhães,
a maior Freguesia do Marco de Canaveses, é,
porventura, uma das que mais tradições
históricas ostenta.
Situada na margem direita do
rio Douro, estende-se desde a Serra da
Aboboreira, que acompanha em grande extensão,
até à ribeira do Juncal.
Pela sua localização,
seria fácil de prever um
forte povoamento
pré-histórico. Os dados
arqueológicos
confirmam-no. Entre os
lugares de Quintela e
Vinheiros, encontra-se o
Castro de São Tiago,
perto de duas elevações
cónicas, uma das quais
tem no topo uma pequena
ermida daquela
invocação. No monte
referido, são ainda
visíveis alguns troços
de três ordens de
muralhas, formando o
mesmo número de anéis, e
algumas habitações
castrejas, das quais
restam apenas várias
pedras amontoadas. Do
espólio reunido,
regista-se um fragmento
de asa de ânfora,
pedaços de "Tegulae" e
um cossoiro.
Mas não se fica por aqui
o património
arqueológico de
Soalhães. Entre muitos
dos vestígios,
destacamos locais como
Coriscadas, Miráz, Poço,
Lavra, Eido, Pinhão ou
Campelo.
Se a arqueologia
comprova o povoamento
castrejo de Soalhães, a
toponímia atesta a
passagem dos godos por
aqui. Assim acontece com
o próprio nome da
Freguesia. Segundo
Joseph Piel, Soalhães é
genitivo do antropónimo
Sunila ou Soela, nome
geográfico
abundantemente
documentado na Idade
Média. O mesmo sucede
com Telhe, cujo
genitivo, Telli, é um
nome pessoal de origem
germânica.
Por carta de Julho de
1373, o rei D. Fernando
doou a Gonçalo Mendes de
Vasconcelos a terra de
Soalhães, concedendo-lhe
sobre ela toda a
jurisdição. Foi ele,
assim o podemos
considerar, o primeiro
senhor de Soalhães. O
Julgado ou Concelho de
Soalhães já existia no
século XIII. Abrangia as
seguintes povoações:
Folhada, Fornos,
Mesquinhata, Soalhães,
Tabuado e Várzea da
Ovelha (Aliviada).