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Não há sabedoria, arte ou emoção que não se encontre
no Teatro.
publicado em 08-02-07
Artigo de opinião por
Vera
Monteiro, Actriz do Teatro do Carmo Artes. |
Teatro!
Preparei-me para escrever sobre este tema, quando já tanta gente
o faz... e por mais que me envolva em pesquisas, teorias... há
algo que prevalece em todas elas: amor à arte! Simples complexa
magia!
Maravilhosa oportunidade de nos despirmos de preconceitos
impostos pelo nosso quotidiano, deixarmos o cárcere da nossa
singular, única existência e ousarmos ser qualquer coisa!!!
Ousar ser outro, ser nada...apenas ser!
E aqueles momentos em palco, pequenos instantes que imortalizam
o momento, são a seiva, o tesouro da alma de qualquer amante da
vida! A libertação para uma infindável realidade que naquele
instante nos pertence!
Qual ilusionista... Pura Magia!!
Teatro.... vida.... vida.... teatro.... Uma interacção que se
define como um interessante jogo de espelhos.
Projecta, transforma, reflecte realidade e sobretudo, age sobre
elas, provoca-as. Tal como o foi em toda a sua historia é,
aparentemente inofensiva, eficaz arma de combate social.
Toda a sua essência resulta de um trabalho colectivo. A extrema
cumplicidade que une o “senhor” que sentado na sua escrivaninha,
independentemente da sua época, imortalizou tal enredo, ao
trabalho de bastidores, ao artista que está em palco desafiando
a sua existência, até ao último, mas não menos importante
público, cujo feedback faz com que o mesmo espectáculo nunca
seja igual... o principal condicionante ao vivo, a cores e em
directo! Esta cumplicidade que resulta da troca de olhares, no
riso espontâneo, no choro reprimido, na troca de reacções... na
viagem patrocinada pelo poder de sonhar, criar,
viver...renascer!
Teatro!
Qual contador de histórias, qual lição de um passado, de um
presente de um futuro. E quem enquanto espectador desse
grandioso espectáculo cénico, já não se identificou ou reviveu
com o seu enredo?
Em toda a sua historia, uma certeza se levanta: é a forma de
arte, a expressão da vida que directa ou indirectamente
contribui para a evolução espiritual de uma civilização que se
torna por livre!
Com base nessa extrema importância cultural, urge a fulcral
questão: Quais os seus meios de subsistência?
Num país pouco sensível à arte, que torna difícil envergar uma
faceta mais profissional, empresarial, o Teatro depende
sobretudo de apoios financeiros do Ministério da Cultura e
autarquias, sobretudo os que têm a sua área de acção fora dos
grandes centros urbanos.
O Estado apresenta-se então como o grande suporte, o principal
garante da criação artística, o que se traduz numa escassez
orçamental capaz de suportar estas necessidades.
Mas... “O Estado somos todos nós e a cultura é um bem de todos".
Na pratica, isto resume-se ao papel que cada ser, como membro da
sociedade, deverá assumir, contribuindo para mais e melhores
espectáculos.
Um importante recurso de combate a estas dificuldades, é esse
“grande monstro”, pelo menos assim quase considerado em
Portugal, que de dá pelo nome de Mecenato Cultural. Isto porque
a tradição cívica e social das empresas nesta área não é uma
sustentável realidade.
Como forma de incentivo a este tipo de intervenção social, o
Estado concede benefícios fiscais às empresas e aos particulares
que apoiam projectos de interesse cultural.
Qualquer gestor sabe que o sucesso de uma empresa depende da
imagem institucional, notoriedade e a relação com os públicos. O
que este não sabe é que tais objectivos, tais reconhecimentos
podem ser associados à participação e responsabilidade social. O
Mecenato Cultural pode trazer ganhos de imagem importantes.
Mas será esta legislação e os benefícios fiscais suficientes
para motivar as empresas?
A realidade é que os mecenas reconhecem e aspiram a um
complementaridade dos sectores público e privado no apoio à
cultura, mas sublinham de forma enfática a subsidiariedade da
actuação das empresas relativamente ao Estado. Enquanto que a
este se atribui uma responsabilidade estrutural nesse campo e um
papel desejável de enquadramento, coordenação, estímulo e
sensibilização, considera-se que as empresas deverão actuar
superlativamente, numa perspectiva de inserção comunitária e
apoio ao desenvolvimento sociocultural, mas na exacta medida dos
seus interesses e objectivos, livres de “intromissões” por parte
dos poderes públicos.
A “Lei Mecenato” terá que ser revista e actualizada em alguns
aspectos. O desconhecimento relativamente aos mecanismos legais
e processuais associados ao mecenato é grande. Seria importante
um encontro dos intervenientes: criadores, produtores,
governantes e mecenas para debater esta temática, em beneficio
de um serviço público prestado através das actividades
culturais.
Só numa sociedade solidária e participada se consegue defender o
que de mais nobre e distinto existe num povo... a sua identidade
cultural! Nisso todos temos responsabilidades.
Um mundo, uma realidade onde uma pessoa faz a diferença... onde
tu... sim, TU és uma peça importante! |