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Belmiro, o marcoense

Publicado em 13-03-06

 

Artigo de opinião por

Nuno Pinto, Licenciado em Gestão de Empresas

A revista “Forbes” mais uma vez anunciou a lista dos mais ricos do mundo, Bill Gates continua a liderar a tabela e o Eng.º Belmiro de Azevedo continua a ser o único português a figurar nessa lista. O homem que colocou em alvoroço o mundo financeiro português, com o lançamento de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) sobre a PT, representa um caso de sucesso pessoal e empresarial que dignifica o Marco de Canaveses, terra de onde é natural e que frequenta com regularidade. Este homem que acabou de desencadear uma operação financeira, que envolve milhares de milhões de Euros, é o mesmo que podemos encontrar descomprometido nas suas compras de supermercado, na superfície comercial do grupo Sonae em Marco de Canaveses ou em, mais privadas, lides agrícolas na quinta que possui na sua terra natal. Esta simplicidade e maneira de encarar a vida, aliada ao seu forte carácter e capacidade de liderança, transformaram o Eng.º Belmiro de Azevedo num empresário de trabalho e acção, e não num gestor/empresário de festas VIP e capas de revista do social, ‘mimados’ pelo que sempre possuíram e pelo que nunca tiveram de lutar.
Se OPA sobre a PT vai ser coroada de êxito, é difícil prognosticar, estão em causa múltiplos factores como as estratégias do Conselho de Administração da PT (que considerou a OPA de hostil e tudo tem feito para impedir o êxito do mesma); a mais valia que representa o preço de compra oferecido aos accionistas da PT; a posição do Governo (que possui uma “Golden Share”, que não é mais que a posse de acções privilegiadas que conferem direitos especiais que condicionam a vida da empresa); a posição da entidade reguladora da concorrência que é factor decisivo para o sucesso da operação, pois poderão estar em causa concentrações de carácter monopolistas no sector das telecomunicações móveis (de três operadores passaríamos a dois em que o operador TMN-Optimus juntos representariam a grande parte do sector); por fim pode aparecer o que vulgarmente se chama de uma “Contra OPA” ou como será mais correcto designar uma OPA concorrente, que obrigatoriamente oferece um maior preço de compra, em relação ao já oferecido pela Sonae, cenário que até agora não passa disso mesmo, pois como diz o povo “eles falam, falam…”, mas a não ser o Eng.º Belmiro de Azevedo, também como diz o povo “ainda ninguém se chegou à frente”. Uma coisa é certa se a OPA for concretizada a PT, dividida ou não em sectores de negócios, fica em mãos nacionais, se existir uma OPA concorrente baseada em empresas financeiras de capital estrangeiro, podemos dizer adeus à posse nacional de uma das mais bem sucedidas empresas nacionais, o que certamente não agradará ao Governo Português e isso pode jogar a favor do Eng.º Belmiro de Azevedo e da sua estratégia.
Ficará a PT em “mãos” nacionais? O tempo o dirá.

 

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