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Além
Simplesmente impossível esquecer esse tempo,
Que vivemos assim tão ardentemente,
Tão crentes, tão inocentes, pleno de sentimento.
E, todavia, tão surpreendente.
Quando ainda pensei que te podia ter,
Junto a mim, construindo um mundo diferente,
de amor, de união e felicidade a valer,
surge a voz da razão, ou do destino tão cruelmente,
que nos separa, fisicamente para sempre.
Tu para um lado. Eu para outro bem distante,
roubando-me os impulsos da vida, que criam a vertente,
que faz do homem, sonhador e verdadeiro amante.
E, eu sei que te conformaste com o destino generalizado.
De te casares, teres filhos e viver em tua casa.
Que procuraste esquecer, por todos os meios, o passado,
E de todo o passado, fizestes tábua rasa.
Todavia, lá longe e ao cair da tarde,
Ainda ouço a tua voz chamar.
Convidas-me ao amor. È ou não verdade?
Ou estarei eu, apenas a sonhar.
Assim, na ânsia de te abraçar,
lancei-me impetuoso pelo mundo.
Queria ter-te de novo, poder-te amar
e tudo o que consegui, esvaiu-se num segundo.
E eu, morri nessa ocasião,
em que te perdi talvez para sempre.
A partir daí, finjo ser um leão,
indomável, forte e valente.
Mas eu, ainda acredito nesse amor.
Que me inunda com uma loucura sem fim.
E, com a força de um louco supero essa dor,
Que me atormenta tão profundamente assim.
E eu não faço mais que enterrar a minha ilusão.
Porque encaro a vida com algum desdém.
Afogando em suor a minha paixão,
acredito que mesmo ali mora o Além.
João C. C.
Ribeiro
publicado em
05-09-07 |
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