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Saudade
Dos comboios a vapor que percorriam a linha do Douro,
Soltando o agudo apito, que pelo vale se estendia.
Anunciavam uma nova era, de ouro
Mas era quase certo que ao outro dia chovia
E eu não gostava nada dos dias de chuva.
Porque o comboio devagar, denunciava nostalgia,
No seu apito agudo, ao aproximar-se de cada curva,
Tocava no meu espírito, ainda imberbe e sofria.
E à medida que fui crescendo,
Cresceu também o comboio que deixou de ser a vapor.
Deixou de ter a velha caldeira. E o fumo foi-se
esvanecendo
E era agora uma máquina movida a motor.
E hoje? Que o meu espírito não è tão imberbe assim
E os dias de chuva não são tão tristes para mim.
Ainda acredito ouvir o agudo apito, a cada curva,
Que anuncia para amanhã outro dia de chuva
João C. C.
Ribeiro
publicado em
07-07-07 |
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