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Um adeus
à mocidade
Eis-me chegado ao cume da minha existência.
Para trás ficou um longo caminho, difícil e sinuoso
conquistado a golpes de músculo, com muita paciência
sempre acompanhado dum sofrimento assaz doloroso.
A meus pés, a imensa escadaria,
estendendo-se infinita em larga pedra lavrada,
à espera que eu me decida pelo triste dia,
que em passo lento inicie a descida anunciada.
Ainda nem sequer o primeiro passo dei
e já me atormenta essa viagem danada,
que eu num esforço, sem honra nem glória adiei
até ficar sem o sorriso, sem dentes e sem nada.
Tudo, tudo por amor à poesia, à fantasia
e a isso, nem o dever, nem o gozo escapou,
da dura realidade, que sempre me afligia
apenas o medo da Morte ficou.
Nem tão pouco vós, oh montanhas sagradas!
Altar Mor dos meus sonhos, cheios de fantasia,
não sois mais, que o recanto onde descanso das jornadas
dos meus sonhos desfeitos, da minha dor, da minha
nostalgia.
Nem vós, amigos da Bela Idade,
que em maus momentos me destes algum alento,
sois agora, no adeus à mocidade,
velhas relíquias do infinito pensamento
E o Sol, que na minha mocidade, constantemente,
reflectia todo o seu esplendor e energia,
é agora velha candeia que se consome lentamente
em velho lar da antiga serrania.
João C. C.
Ribeiro
publicado em
06-05-07 |
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