A biodiversidade ou
diversidade biológica é a
“variabilidade entre
organismos vivos de todas as
origens [...]; compreende a
diversidade dentro de cada
espécie, entre espécies e
dos ecossistemas” (Convenção
da Diversidade Biológica).
A biodiversidade está
distribuída heterogeneamente
na Terra, com áreas de
grande diversidade (os
chamados “hot spots”, como
as florestas tropicais e os
recifes de corais), outras
com pouca diversidade (como
os desertos e as regiões
polares) e ainda outras, com
alguma diversidade. Dos 25
“hot spots” no mundo, apenas
dois se encontram
parcialmente na Europa: na
bacia mediterrânea e no
Cáucaso.
Ameaças de sobrevivência:
A biodiversidade tem
aumentado desde a origem da
vida terrestre, embora de
forma descontínua, atingindo
o seu pico máximo antes do
aparecimento da humanidade e
tendo vindo a decrescer
desde então.
O problema da redução da
biodiversidade assumiu,
principalmente nas últimas
décadas, proporções nunca
antes atingidas, conforme
aponta o Relatório da
Diversidade Biológica,
publicado pelo Programa das
Nações Unidas para o
Ambiente (PNUA) em 1995.
A taxa actual de extinção é
cerca de 100-1000 vezes
superior à taxa natural.
Cerca de 99.9% das espécies
terrestres estão extintas e
a sobrevivência de muitas
está ameaçada, como o Panda
na China, os gorilas em
África (o Gabão e a
República do Congo possuem
cerca de 80% da população
mundial de gorilas), o lobo
e o lince ibérico em
Portugal (estima-se que não
haja mais do que 50 linces
ibéricos em Portugal). Cerca
de 8.5% das espécies de
vertebrados ameaçadas
globalmente ocorrem na
Europa e na Ásia Central.
Muitas actividades humanas
têm contribuído para a perda
de biodiversidade (à nossa
escala temporal), sobretudo
pela consequente destruição
de habitats (pela construção
de urbanizações e
infra-estruturas), sua
poluição e sobreexploração
(nomeadamente por
actividades industriais,
pelo uso intensivo agrícola
e silvícola do solo e
pesqueiro das reservas
aquáticas mundiais).
A riqueza local de espécies
pode variar grandemente,
consoante as condições
físicas (como o clima) e
espaciais assim como com a
intensidade do uso do solo,
como se observa pela Figura
1.

Figura 1 - Riqueza de
espécies por tipos de
habitats (Fonte: EEA, 1998)
Assim sendo, as estratégias
de conservação deverão ser
diferenciadas
geograficamente e adaptadas
à intensidade agrícola e às
demais características das
explorações.
A agricultura pode ser
vantajosa em termos de
biodiversidade: apesar de
ter eliminado áreas de
habitats naturais e ter
trazido problemas de
contaminação desses
habitats, por outro lado,
também criou novos habitats
para muitas espécies. Das
cerca de 453 espécies de
aves que ocorrem
regularmente na Europa, a
sobrevivência de 150
dependem da agricultura
sustentável, como o
Peneireiro das Torres. Entre
as aves mais ameaçadas
encontram-se a abetarda e a
codorniz.
De acordo com o Livro Branco
sobre o Ambiente em Portugal
(1991), uma parte
significativa das espécies
selvagens depende da
manutenção dos processos de
agricultura tradicional e
das explorações agrícolas de
pequena e média dimensão. Os
agricultores e gestores de
zonas de caça, efectuando
algumas mudanças nas suas
práticas agrícolas e de
ordenamento cinegético,
representam assim
importantes agentes para a
conservação da natureza e
diversidade biológica.
Também o turismo em massa
pode exercer pressões
negativas sobre a
diversidade biológica, pela
fragmentação do solo, sua
compactação e pela poluição
causada pelos transportes,
ao passo que o turismo
sustentável promove a
criação de empregos
adicionais às comunidades
locais, motivando-as para a
protecção do ambiente e
harmonizando os interesses
do sector do turismo com a
preservação da
biodiversidade. Por exemplo,
a conservação da
biodiversidade da África
Central é importante não só
em termos ecológicos como
também oferece uma fonte
potencial de receitas
através do desenvolvimento
do eco-turismo.
A introdução de espécies não
indígenas na natureza pode
também originar quebras na
biodiversidade (para além de
poder colocar em risco a
saúde pública), pela sua
competição com espécies
nativas e pela transmissão
de patogénicos, muitas vezes
de forma irreversível e de
difícil contabilização. Além
disso, o controlo ou a
erradicação de uma espécie
introduzida invasora, como a
acácia ou o jacinto-de-água,
é especialmente complexo e
oneroso. No entanto, há
casos em que essa introdução
e a sua exploração podem
motivar o desenvolvimento da
economia nacional, como o
que aconteceu em Portugal
para o caso da batata e do
milho.
A sobrevivência de muitas
das espécies actualmente
existentes e a protecção do
seu habitat estão, portanto,
dependentes de uma mudança
de atitude por parte do
Homem.
Porquê valorizar a
biodiversidade?
Na natureza todas as
espécies são importantes,
mesmo as que aos nossos
olhos possam parecer
insignificantes, como provam
os usos que o Homem tem
encontrado para muitas
espécies faunísticas e
florísticas.
A manutenção da diversidade
biológica reveste-se de
grande importância em
termos:
» Económicos (por
exemplo, nos EUA, os
benefícios económicos
garantidos pelas
espécies selvagens
rondam os 4,5% do seu
Produto Interno Bruto):
- Valor Consumptivo
e Produtivo
(alimentos,
materiais de
construção,
combustível,
madeira, fibra,
resina, fontes
genéticas,...);
- Espaço de lazer,
inspiração (pela
beleza estética),
turismo (observação
de aves, pesca
desportiva, parques
naturais,...) e
criação de emprego –
em 1991, nos EUA, as
actividades
recreativas
associadas à
observação de aves
gerou mais de 20
milhões de dólares e
250 000 postos de
trabalho;
- Valor científico e
educacional;
- Valor de
existência (desejo
de pagar pela
conservação de
determinadas
espécies ou
habitats).
» Sociais (tradições,
simbolismo,
espiritualidade);
» Ecológicos:
- Suporte da vida;
- Controlo de
cheias;
- Protecção do solo
contra a erosão;
- Filtração da água
e purificação do ar;
- Polinização;
- Regulação do
clima.
Existem muitos outros
factores que evidenciam a
necessidade de preservação
da biodiversidade:
» Todas as espécies são
interdependentes – a perda
de uma espécie pode ter
consequências inimagináveis
sobre outros membros da
comunidade; é o caso da ave
Dodo, extinta no séc. XVIII,
que se alimentava de
sementes de uma árvore, a "Calvária",
actualmente também em risco
de desaparecer. A semente
desta árvore só conseguia
germinar depois do Dodo se
alimentar do seu fruto e de
"gastar" a casca grossa da
semente. Hoje existem apenas
13 árvores de "Calvária" no
mundo;
» Os habitats e ecossistemas
ainda estão pouco estudados:
apenas 13% de
aproximadamente 14 milhões
de espécies que habitam o
planeta estão descritos
pelos cientistas; a extinção
de espécies poderá eliminar
hipóteses de cura de doenças
ou de pistas científicas
importantes relativas à
história da evolução e da
origem da vida;
»A biodiversidade nos
oceanos é fundamental para a
grande produção de oxigénio
e consumo de dióxido de
carbono e é fonte de
proteína animal para a
população humana;
» A biodiversidade fornece
muitas vezes soluções para
os actuais problemas de
poluição e doenças. A
medicina tradicional
constitui a base dos
cuidados médicos primários
para mais de 80% das pessoas
em países em
desenvolvimento, estando a
conquistar também os países
mais desenvolvidos.
A biodiversidade aumenta a
produtividade das
comunidades de plantas e a
retenção de nutrientes.
Quanto mais complexo um
sistema, isto é, quanto
maior a sua biodiversidade,
maior será a sua
estabilidade. Por exemplo, a
aplicação irracional de
produtos fito-farmacêuticos
pouco selectivos, como o
DDT, no combate a
determinadas pragas, tem
conduzido à redução da
biodiversidade com
consequente proliferação de
pragas, como o aranhiço
vermelho, pela destruição
não selectiva dos seus
inimigos naturais
Os agricultores têm assim
vindo a aprender a não
menosprezar a biodiversidade
das suas explorações no
combate a quebras de
produtividade e face a
alterações das condições
ambientais. Daí que o
recurso à agricultura
biológica tenha ganho cada
vez mais adeptos: esta
apoia-se no desenvolvimento
da biodiversidade nos campos
de forma a controlar a
proliferação de patogénicos
e de pragas, mantendo e
melhorando a produtividade
do solo. No entanto, há
culturas para as quais a AB
ainda não constitui uma boa
solução alternativa, como se
verifica para os frutos
frescos, na maioria das
vezes afectados com doenças
provocadas por fungos.
Curiosidades:
|
»
“Para além do seu valor
intrínseco, a biodiversidade
determina a nossa capacidade
de adaptação às
circunstâncias em mutação.
Sem uma biodiversidade
adequada, acontecimentos
como as alterações
climáticas e as epidemias
estão mais sujeitos a
exercer efeitos
catastróficos”.
»
“A espécie humana depende da
biodiversidade para a sua
própria sobrevivência,
estimando-se que, pelo menos
40% da economia mundial e
80% das necessidades dos
povos dependem dos recursos
biológicos”.
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