A mudança climática global,
verificada no século XX e
intensificada nas últimas
décadas, constitui uma
ameaça sobre o homem e a
natureza.
As alterações climáticas (AC)
podem ter causas naturais
(variações lentas na
luminosidade do Sol ou nos
parâmetros que definem a
órbita da Terra em torno do
Sol) e/ou antropogénicas [1]
(devido principalmente às
alterações na composição da
atmosfera).
A composição da atmosfera
tem sido alterada pela
emissão directa de gases com
efeito de estufa (GEE),
assim como por perturbações
nas características físicas,
químicas e ecológicas do
sistema terrestre, embora as
estimativas das emissões
relacionadas com estas
perturbações (nomeadamente
pela queima da biomassa)
sejam mais difíceis de
contabilizar que as emissões
directas de gases para a
atmosfera.
O efeito de estufa é um
processo natural, sendo
responsável pela elevação da
temperatura na Terra que não
seria possível na ausência
de GEE (se não existisse
efeito de estufa, a
temperatura à superfície da
Terra seria em média cerca
de 34ºC mais fria do que é
hoje). Os GEE, presentes na
atmosfera, criam uma espécie
de estufa, permitindo a
entrada de radiação solar
mas absorvendo parte da
radiação infravermelha
(calor) irradiada pela
superfície terrestre.
Os GEE são gases que
absorvem e emitem radiação
infravermelha. Para que a
temperatura média global na
troposfera seja
relativamente estável no
tempo, é necessário que haja
equilíbrio entre radiação
solar incidente absorvida e
radiação solar irradiada sob
a forma de radiação
infravermelha (calor).
Este
equilíbrio radioactivo depende
da concentração atmosférica
dos GEE, entre outros
factores: quando a
concentração de GEE aumenta,
uma maior parte da radiação
infravermelha (calor)
emitida pela superfície da
Terra e pela troposfera é
absorvida pelos GEE, com
consequente aumento da
temperatura média da baixa
troposfera, como se tem
vindo a verificar no último
século.
Os GEE mais importantes são
o CO2 (dióxido de carbono),
CH4 (metano), N2O (óxido
nitroso), HFCs (hidrofluorcarbonetos),
PFCs (perfluorcarbonetos),
SF6 (hexafluoreto de
enxofre) e ozono (troposférico).
A queima de combustíveis
fósseis (como o carvão e o
petróleo) (responsáveis por
cerca de 75% das emissões
antropogénicas de CO2 para a
atmosfera), fogos
florestais, alterações no
uso do solo, transportes e
deposição em aterro são
algumas das fontes
antropogénicas de GEE.
As florestas, solo e oceanos
representam sumidouros de
carbono na medida em que
permitem a sua retenção.
Apenas as florestas e o
solo, este último em muito
menor escala, têm capacidade
de trocar o carbono
activamente com a atmosfera,
sendo por isso considerados
os mais importantes. No
entanto, a destruição das
florestas naturais e a
libertação de grandes
quantidades de CO2 têm
levado a que a fixação deste
gás pelos sumidouros não
seja suficiente para
compensar o que é libertado,
tendo-se vindo a
intensificar a sua
concentração na atmosfera.
Desde 1750, a concentração
atmosférica de CO2 aumentou
31% enquanto que a de CH4
aumentou em 151%.
A temperatura média global
da atmosfera à superfície
aumentou durante o século XX
em 0.6ºC +/- 0.2ºC, tendo
ocorrido a maior parte do
aquecimento durante dois
períodos: de 1910 a 1945 e
de 1976 a 2000,
representando a década de
1990 e o ano de 1998 a
década e o ano mais quentes
do século. Este aquecimento
tem acompanhado a fusão de
glaciares sobre os mares
(tendo já provocado nos
últimos 50 anos uma subida
de 10 a 20 cm do NMM – nível
médio do mar) e lagos. A
cobertura de neve mundial
regrediu 10% desde o fim dos
anos 60 e a espessura do
Árctico cerca de 40%.
A frequência de condições
extremas no Inverno com mais
tempestades e inundações nos
países do Norte e períodos
de seca com incêndios
florestais nos países do Sul
tem aumentado, tendo-se
também verificado um aumento
da severidade de cancros em
choupos, facilitado pelo
decréscimo de humidade na
casca dos mesmos.