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A necrópole
megalítica da Aboboreira:
Os estudos arqueológicos
que têm vindo a ser
realizados nas serras da
Aboboreira e do Castelo
desde 1978 revelaram já
a existência de uma
vasta necrópole
megalítica, das maiores
que actualmente se
conhecem em território
português, com cerca de
quatro dezenas de mamoas
identificadas. No seio
de uma maioria de mamoas
pequenas, ou médias,
cuja datação científica
sugere serem as mais
antigas (embora nem
todas tenham sido
datadas), insere-se uma
minoria de dólmens de
relativamente grande
porte, um deles com
corredor e átrio (dólmen
1 de Chã de Parada).
Na estrada de Baião para
Mesão Frio, no lugar de
Queimada, pode-se seguir
por um estradão que sobe
para o planalto da
Aboboreira e o cruza,
dando acesso aos
múltiplos monumentos. No
entanto, não é fácil
para quem não conheça o
local encontrar a
maioria deles, porque
não existe nenhuma
indicação para os
visitantes ao longo do
estradão.
Vestígios da Idade do
Bronze e da Idade Média:
Encontram-se também
vestígios da Idade do
Bronze. É o caso da
necrópole do Tapado da
Caldeira onde foram
escavadas quatro
sepulturas, contendo,
cada uma delas, um vaso.
São também desta época
os primeiros povoados
conhecidos nesta área,
com fossas abertas no
saibro, buracos de poste
e lareiras, como o da
Bouça do Frade. Estes
povoados parecem mostrar
que, no final da Idade
de Bronze, a região
conheceu uma ocupação
mais intensiva das zonas
dos vales férteis e uma
maior estabilidade do
habitat.
No topo da serra do
Castelo, fronteira à da
Aboboreira, havia na
Idade Média o antigo
Castelo de Penalva (no
alto que designa hoje
por Castelo de Matos),
da família nobre de
Baião, que
topograficamente
dominava a Terra de
Baião. Foram encontrados
vestígios de um castelo
de madeira dos meados do
século XI e, na orla do
cume, de uma muralha em
pedra que rodeava um
habitat (século XI-XII).
Foi lá encontrada uma
espora de um cavaleiro
medieval e várias pontas
de tiro ao arco.
Especulação sobre a
Santinha da Serra da
Aboboreira:
Há uma lenda antiga na
região que fala de uma
santa em cima da Serra
da Aboboreira. Nos anos
70, um padeiro de Baião
disse tê-la avistado e,
depois de muitas
peripécias, acabou por
ser construída uma
capela à Santinha no
alto da serra. É a
capela da Senhora da
Guia, hoje associada
pela Igreja católica a
Nossa Senhora, perto da
qual foram já detectadas
meia dúzia de mamoas.
Estará essa lenda
relacionada com alguma
antepassada importante
sepultada num dos
dólmens, como o dólmen
da Aboboreira? Uma
Matriarca da Aboboreira
que ficou na história?
Curiosamente, o alto do
Castelo de Matos, que
faz parte do cenário que
se desfruta da Serra da
Aboboreira, tem a forma
de uma mamoa (ou seja,
de uma mama). Talvez
esse cenário também
fosse relevante
simbolicamente para a
necrópole da Aboboreira
e explique a sua grande
dimensão. Essa forma
talvez estivesse
associada ao elemento
feminino e à Terra e o
dólmen, encoberto pelas
mamoas, a um útero
materno. |